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Gilmar Mendes diz que falta “talento jurídico” na Lava-Jato mas elogia poder de “marketing”

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Foto: Reprodução (YouTube)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, analisou o processo de investigação dos membros da operação Lava-Jato, exposto pela série de reportagens do The Intercept Brasil. O magistrado diz que falta “talento jurídico” aos membros da força-tarefa, mas que por outro lado sobre habilidade de “mídia” e “marketing”.

“Havia ali um voluntarismo, de combate a criminalidade, eventualmente a qualquer preço. Pode não ter lá um grande talento jurídico, mas têm grande talento de mídia, de marketing, isto é bastante notório”, argumentou o ministro, em entrevista ao jornal digital Poder360, do SBT.

Mendes diz ver com ironia a acusação de apoiadores da Lava-Jato, de que vazamento das conversas entre Sergio Moro, então juiz federal, e procuradores, é ilegal, e, portanto tira a validade jornalística da publicação do The Intercept. Segundo ele, quem reclama da “interceptação” foram os principais “artíficeis” deste mecanismo.

“Veja, nós estamos falando aqui de crime. Vazamento para um funcionário público é crime, tanto é que se discute esta questão do Intercept. Eu acho um pouco irônico […] os artíficies de tanto vazamentos agora reclamam desta interceptação? Não que eu valorize, tem que ser repudiada”, ressalta.

Quanto ao processo específico que condenou o ex-presidente Lula e o colocou na cadeia, o ministro do STF diz que as “aventuras” processuais fragilizaram a “imagem do judiciário do Brasil”.

Gilmar afirma que, em conversa com colegas de outros países, como Espanha, França e Portugal, é notória que há uma “impressão negativa” acerca do caso do petista. O segredo, para o ministro, é que em situações tão polêmicas a Justiça funcione de maneira “ortodoxa”.

“Quando se trata de um processo muito marcado, muito heterodoxo, nós devemos ser ortodoxos, devemos ser rigororos tambem no que diz respeito às formalidades. Quem quiser cometer aventuras, pode fazer, mas causa grande prejuizo a imagem do judiciario brasileiro”, defende.

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