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Santo Amaro – Resíduo tóxico de chumbo é desenterrado durante obra da prefeitura

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Foto: Yuri Rosat (Correio)

Uma reportagem do Correio neste domingo (22), denuncia o encontro de resíduo tóxico e chumbo no solo da cidade de Santo Amaro. Uma obra de infra-estrutura para escoamento de água das chuvas fez com que diversas crateras fossem abertas nas ruas do Centro, trazendo à tona parte da escória utilizada por gestões anteriores para calçamento das vias, o que na época causou a contaminação de todo o solo da cidade.

De acordo com a reportagem, a prática teve início nos anos 1980, sendo acusado por especialistas como o maior crime ambiental com metais pesados no país, já que expôs e colocou em risco a saúde de cerca de 60 mil pessoas.

Foi captado pela equipe de reportagem, em um canteiro de obras, uma mostra do material, que passou por análise do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), por meio do Centro de Tecnologia Industrial Pedro Ribeiro (Cetind) – em Lauro de Freitas.

Ficou detectado a presença de 16.700 mg/kg de chumbo no material da zona urbana, o que supera em 5.566% o Valor Orientador de Qualidade do Solo, que é de 300 mg/kg, baseado na resolução 420/2009 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabelece os valores de prevenção dos contaminantes do solo. Para cádmio, a situação foi mais branda, com a presença de 33,9 mg/kg na amostra analisada, quando o limite permitido é de 8 mg/kg.

O secretário de administração e vice-prefeito Justino Oliveira dos Santos, desacredita que a escória de chumbo localizada no chão seja ofensiva a população, e “se tiver, já foi para o lençol freático há muito tempo”. Ao contrário, o serviço de análise apontou que oferece risco a população.

Foto: Yuri Rosat (Correio)

Na década de 60, chegava a Santo Amaro a Companhia Brasileira de Chumbo. O metal era extraído de uma mina em Boquira, município da Chapada Diamantina, e encaminhado à cidade do Recôncavo. Cerca de 2,5 mil funcionários passaram pela fábrica.

“Muita gente morreu e, a cada ano que passa, morre mais. Mecânico, soldador, caldeireiro, encarregado, todos morreram. E são todos novos, na faixa dos 50/60 anos. Os que sobreviveram sofrem com muitos problemas de saúde e falta de dinheiro para tratamentos médicos”, revelou José Gomes Ribeiro, que trabalhou a época no local.

Outro funcionário disse que a empresa quando foi embora, em 1993, deixou 500 mil toneladas de chumbo para trás, sendo que ⅔ ainda estão no pátio da indústria e o restante no subsolo de Santo Amaro. A Justiça interviu e mandou que a fábrica indenizasse as vítimas do chumbo. Três mil santamarenses morreram por problemas causados pela exposição ao material de alto risco.

Foto: Arisson Marinho (Correio)

 

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