Início Política Datafolha – Gasto público é insuficiente para 50% dos brasileiros

Datafolha – Gasto público é insuficiente para 50% dos brasileiros

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Uma pesquisa nacional feita pelo Datafolha aponta que aumentou o percentual de brasileiros que avaliam como insuficiente o nível atual dos gastos públicos. O levantamento foi feito nos dias 29 e 30 de agosto. Cinquenta por cento fizeram essa avaliação.

Na pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2016, o número era de 39%. A pesquisa questionou qual situação descrevia melhor os gastos públicos. O percentual caiu de 57% para 46% na comparação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais, ou para menos, havendo um empate entre os dois grupos.

Cresceu de 7% para 23% o percentual dos entrevistados que consideram que o dinheiro público está sendo bem aplicado em serviços para a população. As despesas do governo federal encolheram 5%, considerando dados corrigidos pela inflação. Em relação ao corte nas despesas não obrigatórias, como investimentos e bolsas de estudo, chega a quase 30%.

A insatisfação com o nível de gastos é maior entre os que declaram ter como partido de preferência o PSL do presidente Jair Bolsonaro (58%) do que entre os que preferem o PT (52%).

Os partidários do PSL, no entanto, consideram que os recursos estão sendo bem aplicados (59% dizem isso). Entre os petistas, apenas 10% têm essa opinião. Os que votaram em Bolsonaro estão divididos: as despesas são insuficientes para 50% e suficientes para 48%. Para 59%, o dinheiro é mal aplicado.

O detalhamento da pesquisa também mostra que a avaliação de que os gastos são insuficientes é maior entre as pessoas com mais de 60 anos (53%) e entre aquelas com renda familiar mensal de até cinco salários mínimos (50%). Pela ocupação, destacam-se as donas de casa (58%) e os desempregados em busca de emprego (55%). A insatisfação é menor entre estudantes (44%) e funcionários públicos (43%).

O Datafolha ouviu 2.878 pessoas em 175 municípios de todas as regiões. O nível de confiança é de 95%. Neste ano, o governo já bloqueou mais de R$ 30 bilhões do Orçamento para não estourar o limite de déficit fixado na lei orçamentária. Isso ocorreu, principalmente, porque o país cresceu menos que o estimado e a arrecadação ficou abaixo do projetado.

O valor representa mais de 25% das despesas discricionárias (não obrigatórias), que são aquelas que o governo pode bloquear e englobam gastos com energia elétrica, água, terceirizados e materiais administrativos, além de investimentos, bolsas de estudo e emissão de passaportes, por exemplo. A proposta de Orçamento para 2020 é ainda mais apertada e projeta esses gastos em um nível que pode impedir o funcionamento da máquina pública, segundo a IFI (Instituição Fiscal Independente).

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