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Artista criado em Conceição do Jacuípe prepara escultura oficial de Irmã Dulce

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Foto: Reprodução (Berimbau Notícias)

Ele não tem religião, mas coube às suas mãos a missão de esculpir em argila e gesso os traços de Irmã Dulce, a primeira beata católica da Bahia. Soteropolitano de nascimento, mas, criado em Conceição do Jacuípe, o artista plástico Alex Reis, 37 anos, é o autor da escultura da religiosa que será apresentada durante a cerimônia de beatificação, que será realizada no dia 22 de maio, no Parque de Exposições, na avenida Paralela.

A honra de preparar a escultura começou antes de o Vaticano anunciar a beatificação do Anjo Bom da Bahia. Em agosto de 2010, quatro meses antes de a autoridade máxima da Igreja Católica  fazer o anúncio, Alex recebeu o convite do assessor de memória e cultura das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), Osvaldo Gouveia.

“Fui escolhido, entre outros motivos, pois a Osid e o frei Tamazzo Cascianelli, que é postulador do Vaticano na Bahia, queriam acompanhar todo o processo de construção da imagem”, explica o escultor da santa.

O artista revelou com exclusividade para o CORREIO como desenvolveu a obra, que foi produzida na pequena área de serviço do seu apartamento, na rua Carlos Gomes, no centro de Salvador.

Tendo como base 26 fotografias da religiosa, Alex iniciou um trabalho de pesquisa  e planejamento da representação da freira. O primeiro passo foi preparar uma pequena escultura, de 25 centímetros, que representou Dulce ao lado de uma criança.  A imagem foi então avaliada pelo Vaticano, que orientou alterações no nariz da religiosa – foi necessário deixá-lo menor.

Por ordens do Vaticano, a figura de Dulce terá um semblante de cerca de 50 anos e será representada no tamanho natural da freira – 1,48m.
“Será toda colorida. Ela estará, com suas vestes de freira, ao lado de um menino mestiço”, conta o artista.

Processo 

Para construir a imagem de Irmã Dulce foi necessária uma grande engenharia na sua produção. Alex, na verdade, ganhou a missão de fazer duas esculturas da religiosa: uma em gesso e outra em fibra de vidro, esta última ainda será produzida e será apresentada em procissão no dia 24 de maio, dois dias após a beatificação.

A imagem de gesso já está pronta e está sendo guardada em local secreto. Ela foi desenvolvida inicialmente em argila com sisal. “Desenhei a imagem de Irmã Dulce e depois fiz os moldes em argila. Depois, coloquei o gesso para dar o molde final”, explica o artista. Em seguida, a escultura ganhou cobertura com tinta automotiva: no hábito da freira, branco e azul.

Durante o processo de construção da imagem, a preocupação maior, segundo o artista, era com a fisionomia da religiosa. “Nas visitas que Maria Rita, superintendente da Osid, e Osvaldo fizeram na minha casa, sempre tínhamos a preocupação que ela fosse representada de forma real. Afinal, não é uma santa europeia que ninguém da atualidade conhece. Dulce todos viram”, diz.

A emoção acompanhou o artista em todo o processo produtivo. “Representar Irmã Dulce, que tanto ajudou às pessoas, foi emocionante. Cada momento que eu estudava um pouco sobre ela me emocionava em ter sido o escolhido para a tarefa”, conta.

Na imagem, Irmã Dulce terá um terço nas mãos, com uma aliança na mão direita, que representa seu compromisso com a religião; no pescoço, uma medalha de Santa Rita.

Artista trabalhou com construção

Formado em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Alex Reis. Ele revela que seu contato com a arte começou na infância. “Sempre gostei de arte e, com o tempo, passei a me aprimorar”, diz.

Além da técnica que desenvolveu na faculdade, sua habilidade para esculpir foi aperfeiçoada quando ele trabalhou na construção civil. Quando se mudou para a capital baiana, para fazer o curso de graduação, Alex passou a viver na Residência Universitária da Ufba, onde teve seu primeiro ateliê. “Eu fazia trabalhos numa salinha pequena nos fundos da Residência.

Foi naquele espaço que eu comecei a trabalhar”, diz. Apesar de ser o escultor da estátua de Irmã Dulce, Alex não restringe sua produção artística às obras sacras e tem trabalhos expostos em diversas cidades do país. “Trabalho com imagens feitas em argila e fibra de vidro. Já realizei muitos trabalhos mas, de todas as obras que produzi, esta escultura de Irmã Dulce, sem dúvida, é a mais importante”, completa.

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