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Filho da terra: Zé de Elísio

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Falar de Barra do Pojuca é inevitavelmente falar da história da família Oliveira.

Ouvir somente José Elísio Oliveira Sobrinho, conhecido popularmente como Zé de Elísio, não seria o suficiente. Para entender o início de tudo, era preciso escutar também outras pessoas. E assim fomos recebidos na casa de D. Joana Xavier dos Santos, mãe de Zé, e por Manoel da Conceição Filho, mais conhecido como “Bochecha”, – que além de amigo, é notoriamente, o maior propagador da evolução do Distrito – de maneira acolhedora, para um bate-papo, sentados em volta de uma grande mesa de madeira. Aos poucos, funcionários, populares e até alguns curiosos, foram se agrupando próximo dali, de tão interessante que estava à conversa. No meu caso, além disso, ela foi também muito reveladora.

D. Joana – A quituteira

Devota de Nossa Senhora, nascida em Açu da Torre, Distrito de Mata de São João, a simpática senhora de cabelos brancos, que se arrumou e se perfumou para nos receber, de voz baixa, e sorriso encantador, mãe de 4 filhos – naturais, sem citar os agregados -, viúva do conhecido Dr.Elísio, foi quem começou a dizer: “De todos meus filhos eu me orgulho, pois Graças a Deus, são bem criados e bem sucedidos . Mas esse meu primogênito…”, se referia a Zé de Elísio, quando foi interrompida pelo mesmo. “Sou o primeiro somente no número, por que no coração…”, retrucou. Ciúmes de irmão mais velho, claro. Daí já percebi, que se tratava de uma típica família liderada por uma mãe protetora. Fui enfaticamente questionada quando disse não conhecer a comida da senhorinha. “Você nunca ouviu falar da “Pensão” da D. Joana? Não é possível! O tempero mais conhecido da região”. Relembraram com água na boca os que estavam por ali. Fui perdoada quando me defendi afirmando que não conhecia a região.

“Servia muita moqueca de Pitu (um tipo de camarão de água doce), na maioria das vezes pescados por mim mesma e a famosa galinha de quintal”. Relembrou D. Joana.

A evolução das fazendas

Quando saiu da sua casa aos 18 anos, para Barra do Pojuca, que naquela época , na década de 40, nada mais eram do que terras de fazendas, D. Joana casou-se com o já falecido, Seu Elísio, que viria ser seu companheiro de toda vida e pai dos seus filhos. Sogro de D. Joana, Filogônio de Oliveira, que já estava lá desde a década de 30, um dos detentores de boa par te das terras da região, começou a arrendar pedaços de terras para as pessoas desenvolverem seus negócios.

Começaram então os armazéns, que são os mercados de hoje. Foi instituída a renda da região com a comercialização do coco de piaçava, coco de babaçu, coco de dendê e do coco de nicuri. Além disso, ele foi um dos incentivadores da construção de barcos.

Manoel da Conceição Filho – O Bochechinha

Curioso relator da história de Barra do Pojuca, Bochechinha não tem graduação como historiador, mas é facilmente confundido por um. Foi ele quem contou, com riqueza de detalhes e emoção, a maior parte da história dessa gente.

Não entendi, a princípio, o fato dele se mostrar tão interessado por isso e principalmente, por estar tão envolvido emocionalmente com aquela família. E foi tanta a minha curiosidade que não resisti e perguntei: Por que para falar de Barra do Pojuca, Zé de Elísio e sua família é preciso que esteja aqui? O que você tem haver com esse povo? Foi então que ele relembrou: “Quando pequeno, fui desenganado pela médica. Minha mãe foi chorando comigo nos braços procurar Seu Elísio, o pai, e ele disse que se tomasse o remédio que ele nos deu, eu ficaria melhor. Três dias depois já estava eu brincando na terra”. Contou. Dei-me por satisfeita, claro.

Seu Elísio – O pai

Delegado, Juiz de Paz, Profissional de Farmácia e Vereador. Sua contribuição é incalculável. Ele, com ajuda de alguns outros, foi dando cara a Barra do Pojuca. Foi quem destinou o terreno para construção da Igreja, quem trouxe o Padre para celebrar a primeira Missa, – ato muito importante naquela época, pois só após isso, o local poderia ser considerado um verdadeiro povoado -, quem instituiu o primeiro cartório, a primeira padaria, até cinema existiu. Era o homem responsável do remédio ao funeral. Um político que se orgulhava da vocação e que fez história na região.

Zé de Elísio – O filho

Ao chegar a sua casa de muros baixos, vi muitas pessoas circulando, uma mesa de café da manhã simples, porém, sendo reposta várias vezes. Como não o conhecia, fiquei a me perguntar: Cadê ele? Quem será? Acho que ainda não chegou! Fui surpreendida com a figura de um homem muito simples, de voz baixa, com tom educado, me pedindo que aguardasse um pouco, pois ele estava despachando alguns assuntos importantes. Era ele, o Zé de Elísio.

Durante a conversa, acho que ele foi o que menos falou. Era interrompido diversas vezes por D. Joana e Bochechinha, que conduziam a conversa de maneira arrebatadora.

Vez ou outra eu puxava o tom. Sim, Zé, me conte aí… E ele me contou.

Nasceu pelas mãos de uma parteira em Salvador, mas logo já estava em Barra do Pojuca. Aos 5 anos, foi um dos três sobreviventes de um grave acidente da época. Desde esse dia, considera que nasceu de novo e por causa disso, sua mãe, devota fervorosa de Nossa Senhora, entregou seu amado filho nas mãos Dela, considerando-a como madrinha. Ela relata ter feito isso como forma de agradecimento pela Graça alcançada.

Estudou inicialmente em Barra do Pojuca, depois de um tempo, passou a estudar em Camaçari, no Colégio São Tomaz de Aquino, na seqüência foi para o Sagrada Família em Salvador. Naquela época, já tinha uma paixão. O caminhão. Teve que deixar os estudos aos 18 anos, na 8ª série e seus pais o ajudaram a comprar o seu primeiro caminhão. Havia se realizado seu primeiro grande sonho.

Casou-se aos 20, e quatro anos depois veio o primeiro filho. Com mais 4 anos chegou a princesa do papai. – A inevitável vida política Tinha o pai como referência de homem, mas não desejava de forma alguma seguir seus passos. A política não lhe parecia atrativa sob nenhum aspecto. Até os 38 anos de idade, dizia aos mais próximos: “Quer ser meu amigo? Não fale de política comigo”. Garantiu.

Mas segundo relatos, ele já era “político” e não sabia. Era quem ajudava o povo, mas sem ter cargo público. Fazia de bom coração. Saiu como candidato a Vereador pelo PMDB, pela primeira vez e só recebeu 283 votos, – números jamais esquecidos -. Na segunda tentativa, foram 832. Foi então que após a 3ª vez consecutiva investindo nisso, conquistou o cargo com 1.984 votos, aos seus 48 anos. Confessou-me, que ao longo dessa trajetória pensou em desistir. “Ainda estava indo por insistência das pessoas e não por vontade própria. Depois que assumi, a política entrou no sangue e agora não sai mais”, relatou.

Atualmente ocupa a Presidência da Câmara Municipal de Camaçari. O tal muro baixo de sua casa, alguns amigos insistem em dizer que deve ser substituído por um grande portão, que lhe dê mais segurança. Afinal, agora ele é um homem público, não pode se expor tanto, eles dizem. Para Zé de Elísio isso é motivo de briga, fui testemunha. “Não vou deixar nunca de ser quem sempre fui, de morar como sempre vivi. Não posso perder minha característica. E chega desse assunto”. Encerrou.

Vai ver por isso ele é tão popular! No auge dos seus 55 anos, continua apaixonado por caminhões, – não à toa, tem uma pequena frota -, e afirma com veemência que se fosse para voltar, faria tudo de novo e que não se arrepende em nada, ter se dedicado a política.

Para encerrar a conversa perguntei: Você após ter realizado tantas coisas, qual seu sonho? “Conquistar a Prefeitura de Camaçari”. Respondeu. Vamos aguardar as próximas eleições. Quem sabe a próxima matéria não será com o novo Prefeito Zé de Elísio? Vai saber!

Matéria produzida pela equipe de jornalismo da revista gnLitoral – “A revista de Grandes Negócios do Litoral”.

*Revista GN Litoral – Ano 1 – Primavera de 2011

Páginas: 36,37,38 e39.

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1 COMENTÁRIO

  1. olá família oliveira meu nome é bianca oliveira tenho 20 anos sou
    sou estudante e filha de Arisdides e gostaria de entrar em contato com noé ou seja meu avô

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