Início Notícias Marcos Medrado – Deputado Federal

Marcos Medrado – Deputado Federal

0

Vereador, vice-prefeito, deputado estadual, deputado federal… Lá se vão 25 anos de mandato do deputado federal, administrador de empresa e radialista Marcos Medrado (PDT). Mas, em 2012 o deputado se prepara para um desafio maior: driblar a base aliada do governo e conquistar a prefeitura de Salvador. Com o apoio da executiva nacional e estadual, Medrado que assumiu a presidência do diretório municipal do PDT, na semana passada costura sua candidatura com os pés no chão. “Eu sou candidato, o partido concorda, mas tem que consultar o povo, não só do subúrbio, como de toda cidade de Salvador”, diz. Paralelo a disputa na capital baiana, o PDT também busca renovação nos diretórios da legenda nas cidades pólos do estado e a palavra de ordem é ‘infidelidade zero’. “Todos aqueles que foram fiéis ao PDT pode continuar, aqueles que não foram, pode pegar o boné e ir embora”, sentencia o pedetista. Confira a entrevista exclusiva concedida ao radialista Jutan Araújo e descubra as articulações de Marcos Medrado visando 2012.

Jutan – Deputado federal Marcos Medrado. Quantos mandatos deputado?

Marcos Medrado – Deputado federal quatro, deputado estadual um, vice-prefeito dois e vereador no finzinho, aquela briga que eu tive com o senado Antonio Carlos, acabei não sendo prefeito, fiquei sendo vereador dois anos; então são oito mandatos.

Jutan – E a briga com Antonio Carlos Magalhães? O senhor tocou em assunto que eu nem me lembrava.

Marcos Medrado – Na realidade eu disputava a prefeitura – e eu tinha toda chance de ser prefeito – e recuei para apoiar o candidato Antonio Imbassahy, com o compromisso de ser candidato em seguida. Depois Imbassahy na segunda eleição saiu, Antonio Carlos botou Cesar Borges; nós brigamos, não concordei com aquele fato e ele morreu inimigo da gente por questões políticas. Na política tem que ter palavra, quando não tem eu me aborreço e não gosto.

Jutan – 2012, o senhor é pré-candidato não é?

Marcos Medrado – Sim. No início do ano, o presidente nacional do partido, o ministro Carlos Lupi, acompanhado de Alexandre Brust, que é o nosso presidente estadual; nós comunicamos ao governador que o PDT teria candidato à sucessão municipal 2012. Então foi avisado com seis meses de antecedência e hoje nós estamos ai trabalhando o nome da gente com o apoio da executiva nacional, da executiva estadual e todos companheiros nossos, inclusive do presidente da Assembleia, meu companheiro deputado Marcelo Nilo.

Jutan – E aceitação do senhor? Além Subúrbio, que te ama, como está na parte ‘elitizada’ de Salvador?

Marcos Medrado – Eu sou uma pessoa muito reservada; eu moro em uma casa há 42 anos, ali em São Tomé de Paripe, eu tenho 25 anos de mandato morando no mesmo lugar, eu tenho uma convivência muito boa, salutar com as pessoas; não engano, não tem promessas não cumpridas, não existe essa coisa na minha vida, então o resultado disso, as pesquisas que vão surgir a gente vai observar. Eu sou candidato, o partido concorda, mas tem que consultar o povo, não só do subúrbio, como de toda cidade de Salvador.   É preciso que a gente ande mais, converse mais com as pessoas, para ver se é isso mesmo que o povo quer; se não for meu amigo, não tem jeito de ir contra o povo.

Jutan – O senhor tem uma ‘pedreira’ pela frente ai, Nelson Pelegrino como pré-candidato a prefeito pelo PT. Como é que o senhor vê essa candidatura? Será que o PT não tem outro nome melhor?

Marcos Medrado – O candidato vitorioso para a prefeitura de Salvador, sairá da base do governado Wagner. Pode ser Marcos Medrado, pode ser Alice Portugal, pode ser Pelegrino; se não for Pelegrino, pode ser Pinheiro. O PT tem que se encontrar primeiro e escolher o candidato, mas eu acho que quem vai vencer a eleições é um partido da base aliada do governador; isso eu não tenho dúvida. O trabalho que o governador faz, o trabalho que nós fizemos, que estamos fazendo pelo estado da Bahia, isso reflete em Salvador e eu não tenho dúvida que a base aliada vai ganhar a eleição na capital. Agora, é só dá um tempo e nós vamos costurar isso.

Jutan – O senhor disse que brigou com ACM pela imposição, o senhor não tem medo que isso se repita agora na ‘Era Wagner’?

Marcos Medrado – Não. A democracia é plena agora no nosso estado. A malvadeza acabou; a perversidade, a autoridade, o autoritarismo. Os coronéis do Brasil estão indo embora, já foi o Arraes, já foi o Antonio Carlos, ainda resta o Sarney, mas a história tá ai. Na Bahia não tem essa coisa do ‘mando’, o governador Wagner é muito correto, ele disse que o PT vai ter candidato, que esse candidato poderia o Nelson Pelegrino, mas nos outros partidos ele não manda. Ele tem noção disso, ele é governador da Bahia, mas não é governador dos partidos; ou então estaria repetindo a malvadeza de Antonio Carlos Magalhães e Wagner é uma pessoa muito correta com isso. O que é que estamos dizendo? Podemos ser candidatos o primeiro turno, mas no segundo turno estaremos todos juntos. Se eu for para o segundo, o PT com certeza me apoiará; se eu não for, eu vou apoiar o candidato do governador. Então, isso que é o processo que é importante, é a democracia. Aquela coisa da autoridade, do autoritarismo, acabou.

Jutan – O senhor que conheceu o Carlismo e agora a ‘Era Wagner’, qual a principal diferença?

Marcos Medrado – Com Antonio Carlos você precisava aguardar, ninguém falava em sucessão municipal em Salvador quase dois anos antes, esperava o senador Antonio Carlos lançar seu candidato, escolher seu nome, e normalmente era vencedor. Com Wagner é diferente, ele diz “o meu candidato é do PT”, mas a base aliada também pode se manifestar. É um processo democrático que é muito importante; a Bahia hoje é diferente, muito diferente da ‘Era do Carlismo’.

Jutan – Como está hoje o PDT em São Francisco do Conde?

Marcos Medrado – Em construção. O PDT está nas mãos de umas pessoas, mas vai mudar.

Jutan – Vai ter mudanças no PDT de São Francisco?

Marcos Medrado – Claro. O PDT precisa ter uma estrutura partidária forte, e onde o PDT não teve apoio vai mudar, seja em qualquer lugar. O PDT de São Francisco do Conde deveria ter votado no PDT, nos deputados estaduais, federais do PDT; se não votou, vai ter mudanças. O PDT é autorizado a fazer mudanças em todo lugar, não só lá em São Francisco do Conde. Minha participação em São Francisco foi boa, cheia de esperança, você é jovem, mas lembra daquele episódio de dinheiro, de vantagens políticas, e eu não aceitei, terminei filiando o Pascoal que foi candidato. Com dois meses para a eleição, eu procurei Pascoal para tratar de algumas coisas, já estava lá com uma corriola muito grande montada, de coisas que eu não gosto de fazer. E ai, sai. Nunca mais procurei, não fui mais por lá, e agora nós queremos reconstruir essa história com um novo rumo: fazer um partido novo, o diretório vai mudar, vamos fazer de São Francisco uma coisa nova. Não sei se tem nomes capazes de coisas novas para a gente acomodar, mas com certeza o nosso rumo agora é esse ai.

Jutan – Há pretensões do PDT ter candidato próprio em São Francisco do Conde?

Marcos Medrado – São Francisco, Madre de Deus, Candeias, Lauro de Freitas…Em todas essas cidades nós teremos candidatos próprios.

Jutan – Já tem algum nome forte em São Francisco do Conde?

Marcos Medrado – Há uma procura, o deputado Marcelo Nilo tem conversado muito com Calmon, é possível uma filiação de Calmon e o apoio do partido para esse nome, mas ainda não tem nada consolidado.

Jutan – Calmon indo para o PDT seria o candidato natural?

Marcos Medrado – Sim, essa é uma questão que até o final de setembro nós vamos estar conversando com todos os diretório nossos da Região Metropolitana e pela Bahia a fora.  Nós queremos ter candidatos na maioria das capitais e queremos crescer o nosso partido; só cresce o partido se, por exemplo você for presidente do partido em Candeias, você votar nos candidatos do PDT em Candeias; se você não vota, fica bom para você, mas ruim para o partido. A direção nacional decidiu que isso não vai mais acontecer.

Jutan – Em Candeias, Jair Cardoso é o candidato pelo PDT?

Marcos Medrado – É uma questão que estamos discutindo, cada dia surge um fato novo, eu ouvi a conversa que ele estava se afastando – ouvi de bastidores, não tenho certeza – mas o certo é que em Candeias nós teremos um candidato do PDT, um candidato que apoiará a base do PDT a nível estadual.

Jutan – Agora ainda não é Jair Cardoso?

Marcos Medrado – É só verificar se Jair Cardoso votou nos candidatos do PDT. Se ele votou o candidato será ele, se não votou, não será.

Jutan – Ele dobrou com Leão para federal.

Marcos Medrado – Leão é do PP, Leão não é do PDT.

Jutan – Então isso descredencia Jair Cardoso?

Marcos Medrado – Isso descredencia qualquer candidato. O PDT não aceita ter um diretório como na cidade de Candeias, ter votado em alguém que não é do PDT. O PDT não aceita isso.

Jutan – “Unindo Forças”, continua esse o slogan?

Marcos Medrado – Continua, não pode mudar não. As coisas que eu não gosto de mudar na minha vida: “unindo forças” é a marca da gente, o lugar onde eu moro. A gente não veio para a política para fazer história, para ganhar dinheiro; eu moro no mesmo lugar, na mesma casa, continuo tendo as mesmas coisas; o meu trabalho, a minha empresa de transportes, a rádio Nova Salvador. Sem escândalos, sem tumulto, sem essa coisa de mentir, de enganar; eu sou um parlamentar que não ando plantando nota para falar mal de ninguém, o que eu tenho que falar, eu procuro as emissoras de rádio, procuro os jornais, e digo “tá acontecendo isso”. Não muda, a gente não mente, a gente na engana ninguém; é por isso que graças a Deus, nunca perdi uma eleição.

Jutan – Como está o PDT em Madre de Deus?

Marcos Medrado – Estamos formando também, fazendo uma nova executiva e queremos novos rumos.

Jutan – Soane Calmon continua com o controle do PDT em Camaçari?

Marcos Medrado – Estamos analisando em todos os lugares. O requisito fundamental é o diretório municipal ter votado em alguém do PDT, aquele que não votou, com certeza está pendurado e vai cair.

Jutan –Eu ouvi dizendo ai que o senhor vai lançar seu filho, Diogo Medrado.

Marcos Medrado – Eu me entusiasmei muito com rádio, eu sou um radialista, tenho cinco anos fazendo um programa de rádio na nossa emissora, a Nova Salvador…

Jutan – O senhor tem dicção boa, não é mais um político que quer virar radialista. Tem cada um por ai…

Marcos Medrado – Eu quero deixar a política para fazer rádio. Por que é uma coisa boa, você ouve as pessoas, conversa com as pessoas, faz essa interação que é muito importante. Então, eu me apaixonei por isso; quero deixar o mandato de deputado federal em 2014, ficar deputado estadual – não quero sair da política – e o Diogo pensa em ficar no meu lugar. Combinado comigo e com ele está, falta combinar com o povo.

Jutan – Então ele sai agora em 2012 candidato a vereador?

Marcos Medrado – Não, 2014 deputado federal.

Jutan – E o senhor deputado estadual?

Marcos Medrado – É, para ficar no rádio, ser seu colega.

Jutan – Em Candeias: o senhor não tem medo de apoiar Jair Cardoso e lá na frente ele trair o PDT? Ele que não eleição passada fez dobradinha com o João Leão.

Marcos Medrado – Eu não quero direcionar ao Jair Cardoso, mas todos que são filiados ao PDT – temos diretórios na Bahia inteira- tiveram toda oportunidade do mundo para ser fiel ao PDT. O PDT é um partido que não faz conchavo, acabei de dizer que eu tinha toda estrutura de São Francisco do Conde, que é uma cidade rica, apesar do povo ser muito pobre, muito sofrido, não houve gestores que colocasse a cidade no eixo, não sei como está a administração da Rilza, mas o PDT não negocia cargos, nós abrimos mão de todos os cargos para ter uma direção honesta; honestidade em política é raro, mas o PDT prega por isso, não esquecemos o saudoso Leonel Brizola, Brizola pra nós sempre vive. Todos aqueles que foram fiéis ao PDT pode continuar, aqueles que não foram, pode pegar o boné e ir embora.

Jutan – O que o senhor tem feito pela Região Metropolitana? Em especial esses municípios em torno do Petróleo.

Marcos Medrado – Onde eu fui votado – eu na fui votado em Candeias, eu não fui votado dessa vez em São Francisco do Conde – infelizmente o parlamentar tem que dar assistência à sua base. Eu sou votado em Salvador, tenho trabalhado muito; fui votado em Lauro de Freitas, tenho trabalhado; em Simões Filho, tenho trabalhado. Em Candeias ainda não dei sorte, já tentei muito realizar um trabalho em Candeias. Você consegue ver uma cidade feia, lixo em tudo quanto é lugar, não há beleza em Candeias. Uma cidade rica, um comércio próspero, que tem pujança, o povo quer prosperar e você não vê nada na cidade. Cidade esburacada, lixo em todo lugar, entulho, não há disciplina, Eu acho que uma cidade dessa merece ter uma gestão nova.

Print Friendly, PDF & Email

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.