Mônaco escreve – O estado de desarrumação em que se encontra Camaçari

Mônaco escreve – O estado de desarrumação em que se encontra Camaçari

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Camaçari se notabilizou através dos tempos como a cidade da sombra  e da água fresca, o lugar ideal para descanso. Autoridades como o ex – Governador Otavio Mangabeira (1949),  desembargadores, políticos, empresários, famílias ilustres da capital e outros não menos famosos escolhiam a pacifica cidade para o descanso nos fins de semana,  principalmente no verão.
Quanta saudade dos banhos  de  rio  no saudável e  cristalino Rio Camaçari, paraíso de veranistas, fonte de prazerosas recordações.

A bela história que muitos gostariam de contar, mas, que poucos conhecem, sofreu profundas  modificações, o advento  do Polo Petroquímico (1965) ensejou profundas transformações. A fama de  cidade acolhedora, no entanto mudou,  já não se respirava o aquele ar poético, começavam os inevitáveis conflitos  sociais do município.

A infraestrutura exigida na implantação do Complexo Básico provocou medidas  antipáticas   com as  desapropriações feitas pela Prefeitura e Governo do Estado,  os pobres foram os mais sacrificados. Perderam suas casas, terrenos e a auto-estima. A alegação dos governantes: construiriam uma nova cidade, parte dela virou mais tarde uma  grande invasão.

Os anais lembram que à  época em Camaçari faltavam as mínimas coisas, não tínhamos rede de água, esgotamento sanitário, telefone, transporte coletivo, dependíamos da ferrovia pra quase tudo, assistência médica nem pensar, predominava o atraso,  éramos um  punhado  de  pessoas dependentes  de tudo.

Hoje temos  a FORD, duas fábricas de pneus, um novo parque industrial  em crescimento e enormes áreas  para implantação  de novos empreendimentos. Foi o município da Bahia onde mais se desenvolveu o plano habitacional. A cidade sofreu o impacto, a população crescimento acelerado, chegaram milhares  de novos  moradores  que sem lenço e sem documento  alongaram  a fila do “salve-se quem puder”.

ATÉ QUANDO  CAMAÇARI…

A   perspectiva de melhoria na vida  do povo continua  oscilante, e,  como dizia o prefeito Elinaldo na campanha politica que  “Não adiantava  apresentar plano de governo, pois, aqui faltava tudo”.  Agora se descobre  que faltava muito mais. O desemprego vem  tirando o dinheiro de  circulação, a violência intolerável, a fome avança, sem se falar  nos velhos dilemas da saúde e da educação, tudo isso acontece  num município   de arrecadação mensal milionária.

Os Jovens formados nas diversas  faculdades(em Camaçari temos duas (UNIME/FAMEC) enfrentam a falta de oportunidades e  mesmo com  o diploma na mão se submetem a serviços terceirizados  fora  de  suas áreas  curriculares, talvez  o remédio  combatente do desemprego  seja  a paciência de esperar.

É evidente o momento de repensar Camaçari, responsabilidade maior dos políticos e dos novos administradores. A Proposta é deixar de lado o assistencialismo, o paternalismo, o clientelismo abrindo   a mente  para as reformas,  saindo do marasmo, a não ser que desejem o retorno da turma antiga. Os vermelhos estão  de olho em 2018 e 2020!

O  concurso público não tem alcançado os objetivos. Aberto a todos  inclui  pessoas  de  outras cidades e no fritar dos ovos  pouco sobra   para o povo de Camaçari.  A prefeitura  por exemplo está cheia de concursados que assinam ponto aqui e residem  em outros municípios, inclusive Salvador.  Ganhar em Camaçari e gastar em  outra cidade .

HERANÇA  MALDITA

Como não podia faltar, a administração anterior deixou heranças, dentre elas   um  prédio  velho em ruinas, onde funcionava  o antigo cinema  que  deve  ser reformado  e ali erguido um monumento rememorando a sua história. Vamos  esperar pra  ver!

Paralelo ao prédio onde por muitos anos funcionou a sede da prefeitura  e  a Câmara  dos Vereadores  foi colocado   um toldo velho  servindo de terminal de passageiros do chamado transporte “Ligeirinho” , filial da degradada estação rodoviária.

Tabuleiros de  frutas e verduras se espalham pelas ruas do centro e nem a  frente  da Igreja     Matriz  é respeitada pelos ambulantes. As instalações  do Centro de Abastecimento ( A Feira  de Camaçari) estão  na mira da Justiça, não se sabe o que a Prefeitura  vai fazer para cumprir as exigências do Ministério Público.

A obra  de revitalização do Rio Camaçari parada há mais de dois  anos, agoniza, o velho rio serve hoje como despejo de detritos  e  rede de esgotos, foco de mosquitos, péssimo cartão postal.

A “Cidade do Saber” ninguém sabe  a verdade  sobre  suas  ações ,  tampouco sobre os dez milhões do orçamento anual. A quadra de esportes  da Praça  Abrantes  demonstra o descaso com o bem público  destroçada pede socorro. O estádio de futebol  patrimônio  valioso do município abandonado não serve pra nada.

O Camaçari deixou o campeonato baiano de futebol  e por falta de apoio da prefeitura priva os desportistas  do entretenimento.  O Clube Social  patrimônio do povo  está falido. O prefeito anterior  não honrou o pagamento do contrato  de aluguel das dependências  com a SEDEL- Secretaria de Esporte e Lazer. Enfim, se fossemos  listar na  integra  os  problemas atuais  de Camaçari daria  um livro.

Considere  a retrospectiva  e compare os áureos  tempos  citados ao inicio desse  encontro começando pelo lazer, chegada do Polo Petroquímico, novas industrias, o jovem e a “Faculdade”, o momento de repensar  Camaçari, o concurso público e as ironias  que  maculam a vida de nossa cidade.

Rogamos aos dirigentes da PMC  buscarem  as formas  ideais   para acabar  com as pretensões descabidas  que levaram Camaçari ao estado de desarrumação  ora  encontrado.

Até a próxima e vamos em frente.

José Raimundo Mônaco/ CN1

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns Mônaco! Sempre equilibrado e inteligente em seus comentários. Pena que os atuais gestores de Camaçari não utilizam de sua sabedoria e experiência.

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