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Jamessom da Silva escreve – Caminhoneiros e os aproveitadores

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As manifestações dos caminheiros nas estradas brasileiras causaram impactos diretos e indiretos sobre amplos aspectos da sociedade, e revelou o caráter corrupto e mercenário de alguns comerciantes, a definição de aproveitadores, nesse caso específico é uma descrição respeitosa ao leitor, os abusos praticados nos postos de combustível, nas centrais de abastecimento de alimentos e água merecem adjetivos mais primitivos, além de ser uma conduta criminosa prevista em lei, crime contra a economia popular, a pratica de extorsiva expõe quem posteriormente devemos execrar quanto consumidores
conscientes.

O comportamento ético e moral diante da escassez é assustador, em alguns casos a taxação de alguns produtos ultrapassa 800% do preço corrente, e o governo com seus órgãos de fiscalização exibe sua incompetência em apresentar uma resposta imediata e
uma solução efetiva. A capacidade dos gestores em dialogar com sociedade e encontrar um caminho pacifico para o conflito foi colocada em xeque, com o agravante da ausência de representatividade também dos sindicatos da classe quérula, o que ficou evidente após a reunião frustrada dos supostos representantes dos caminhoneiros e o governo federal, resultando em um vexame para os envolvidos na negociação. Para
sacramentar o fracasso no gerenciamento da crise foi lançada uma tentativa de interrupção agressiva do movimento pela via judicial, com o uso das forças armadas, chantagem e muita bravata, o que tem inflamado ainda mais a nação e expõe as
vísceras do sistema. Contudo não deve passar despercebido e engana-se quem acha que os aproveitadores são apenas a parte final da cadeia de produção, a sucessão de acontecimentos é resultado de uma crise institucional, moral e ética instalada no Brasil por quem hoje tenta usar a força para represar o conflito.

Esse é um movimento de nação, uma reação que surge da crescente falta de harmonia com as demandas dos cidadãos e as prioridades do governo, a greve não deveria causar surpresa nas lideranças politicas do país, o transbordar do problema foi
anunciado, o que torna aterrorizante o cenário é a falta de perspectiva e a certeza de agravamento com outros setores. É preciso construir com a sociedade e novas lideranças um novo conceito de gestão para o país, longe dos aproveitadores e desse
modelo atual. Apoiar o movimento é ser cidadão, toda conquista requer sacríficos, logo colocar os interesses da coletividade acima dos interesses pessoais é o que tornar um individuo em um cidadão, os que não entenderem esse recado serão boicotados, a
exemplo, das velhas lideranças.

 

Jamessom da Silva, Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduando em Gestão Pública Municipal-UFBA.

* Os artigos não representam a opinião do portal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

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